“A vida é um grande mistério, assim como o ser humano, uma raça muito confusa. Como algo que você deseja a vida toda perde o valor tão rapidamente? Tantos lutam para chegar a esse ponto e nunca conseguem, mas por ironia do destino conseguistes e olha para você, a sombra do que deveria ser um homem.”
Tão cansado, seus pensamentos lhe perturbavam os sonhos, era como se não estivesse apenas dormindo, era como se tudo fosse um fragmento de realidade que lhe fazia estremecer. Ali estava ele, Takashima Kouyou, jovem, lindo, rico, famoso. Muitas pessoas venderiam até a alma para estar no lugar dele, ter tudo que uma pessoa idealiza para ser “feliz”, mas no seu caso tudo só servia para fazê-lo cada vez mais uma estatua de cera, lindo e perfeito, porém sem vida, um projeto de pessoa.
Naquela manhã recusou-se a abrir os olhos, pois sabia que quando fizesse voltaria à velha rotina, durante algum tempo permaneceu ali naquela cama, tentando esquecer que estava vivo, mas os raios de sol foram mais fortes obrigando suas pálpebras a se abrirem.
A luz refletiu-se em seus olhos fazendo sua cabeça girar, sentiu uma dor incomoda, como se algo a estivesse martelando por dentro. Olhou ao redor e não reconheceu o local, assustou-se por um breve momento até recordar-se da noite passada, a ultima coisa da qual se lembrava era de cair na calçada.
Era um quarto simples e bem bagunçado, reparou na cômoda algumas calcinhas e jóias, estava num aposento de mulher, levantou-se e sentiu tontura, mas se manteve em pé, saiu num corredor e foi caminhando de vagar até chegar à sala onde viu uma pessoa enrolada em milhões de cobertores.
Sem saber o que fazer apenas ficou observando, a moça se mexeu derrubando as roupas de cama, sem querer ele acabou vendo mais do que deveria, sua camisola de seda levantou-se mostrando todo seu traseiro e ela ainda conseguiu vira-lo na direção do loiro que começou a soar frio, mordendo os lábios, deu alguns passos involuntários pra trás e acabou batendo numa mesinha derrubando um vaso que fez um barulho mais alto do que o normal, assim despertando a moça de seu sono:
-Merrrdaaa, não faz barulho, minha cabeça ta doendo POW!!!
-G-gomene, é que... Que...
-Ah é você, foi mal, é que eu to de ressaca, mas ai... Dormiu bem?
-Acho que sim, quem é você?
-Meu nome é Sayumi, eu vi você caído ontem na calçada e te trouxe aqui para passar a noite...
-Ah, então foi isso, obrigado, mas não precisava...
-Precisava sim, você estava péssimo, a propósito o que fazia ali? E quem é você?
-Meu nome é Takashima kouyou, sou jogador de futebol, estava de saco cheio de toda essa poorra e resolvi encher a cara...
-Ahh você é aquele tal de Ronaldo japonês com a gordura revertida em coxas que os bêbados brasileiros estavam falando ontem!
-Nani?
-Ah esquece, mas enfim, você deve estar com fome não é, vou fazer algo pra comermos, que tal um café da manha tipicamente ocidental?
-Ah adorooo, torradas com manteiga e café?
-Exato...
-Muito obrigado por tudo isso, prometo lhe pagar!
-Não esquenta com isso, é um prazer telo aqui, vou lá preparar o café.
-Hai.
Durante o café conversaram sobre muitas coisas, desde o trabalho até coisas banais como ursos de pelúcia, por aquele breve momento Uruha esqueceu-se de suas preocupações e entregou-se àquela felicidade, que mesmo sendo passageira lhe fazia muito bem, desejou eternizar cada momento.
Talvez fosse o local: Uma casa simples, bagunçada, algo como o que um dia fora seu lar, ou quem sabe o café, fazia tanto tempo que não tinha um café da manhã tranqüilo, agradável e delicioso como aquele, ou quem sabe ainda pudesse ser a companhia da moça doida, alegre e linda que estava sentada a sua frente. Não sabia bem o que era, mas isso não importava, estava se sentindo bem, se sentindo um ser humano.
-Ah, entendi, estavam se referindo ao Ronaldo! É eu sou mesmo conhecido - Disse em tom de ironia, mas com certo pesar que foi percebido por Sayumi.
-É, você é sim, mas isso não é algo bom?
-No começo eu achei que seria, mas o tempo foi se passando e eu me transformei apenas num corpo bonito e atlético criado unicamente pras mulheres surtarem e os homens copiarem. Ultimamente nem meu talento como jogador vem sido reconhecido, tudo uma farsa.
-Hum, entendo, sempre achei essa historia de fama uma coisa exagerada, vejo meninas se descabelando e tendo ataques por cantores e etc. E acho isso tão ridículo, eles são apenas seres humanos, não são superiores a ninguém.
-Pois é, e eu penso que devem ser assim como eu, obrigados a sempre sorrir e serem gentis, escondendo o que realmente são, usando uma imagem para a mídia, muitas vezes perdendo a própria personalidade em meio a tudo.
-Mas você me parece ser diferente...
-Eu cansei de tudo isso, estou ficando louco a cada dia, por isso enchi a cara, sabe o que eu pensei quando cai no chão?
-O que?
-Eu não quero voltar, vai ser melhor acabar com tudo isso, não quero acordar novamente.
-Isso é serio, não pense assim, a vida é uma só e deve ser aproveitada ao Maximo.
-Bom, talvez, me desculpe por tudo isso, sei que é chato ouvir as lamentações de idiota como eu...
-Hey, não fale isso de si mesmo, sabe, já faz muito tempo desde a ultima vez que conversei assim com alguém, muitos anos desde meu ultimo café da manhã acompanhada...
-Obrigado, do fundo do coração.
-Quem tem que dizer isso sou eu, afinal olha só minha sorte! Estou tomando café com um bêbado deprimido, porem lindo e super gentil, apenas sua companhia já é suficiente pra compensar o esforço que tive para carregá-lo.
O loiro sorriu, ele havia encontrado uma amiga? AMIZADE essa palavra havia sido riscada de seu dicionário, mas ainda assim podia lembrar com clareza de seu real significado, um pensamento leva ao outro e sem querer lembrou-se de Akira, de todos os bons momentos de sua adolescência ao lado do moreno que cobria o nariz. Riu alto.
-Por que está rindo?
-Bom, recordei de um caso, com um antigo amigo...
-Perece uma boa historia, conta?
-Seu nome é Susuzi Akira, mas todos nós o chamávamos de Reita, tínhamos treze anos quando aconteceu um acidente, numa aula de química o baka conseguiu fazer um tubo de ensaio explodir, criando uma nuvem de fumaça horrível na sala, e o nosso sensei gritou “saiam da sala, protejam a respiração! Pode ser tóxico!” Nisso ele ficou desesperado e tirou uma faixinha que usava no braço como enfeite e colocou tampando o nariz, saiu correndo da sala, foi quando as garotas que estavam no corredor o viram, elas começaram a cochichar e uma delas gritou “Reita! Você ficou muito sexy com essa faixa”, depois disso o idiota não tirou mais, me pergunto se ele ainda usa...
-Liga pra ele e pergunta ué...
-Impossível, não nos falamos há anos, ele deve me odiar...
Contou-lhe toda a historia, seu ar se fez entristecido, o brilho nos olhos tornou-se um mar de escuridão.
-Entendo, mas sabe, creio que só acaba quando termina...
-Isso não foi lá muito inteligente - Disse caindo na risada fazendo-a rir também.
-Eu quero dizer que enquanto você respirar e sentir, mesmo que seja apenas dor você é um ser humano, está vivo e enquanto sua vida durar você pode mudar o que quiser nela!
-Como assim?
-É a cor do cabelo? Enfim, nunca é tarde pra pedir perdão, vá até ele e diga o que sente, ele irá te aceitar, tenho certeza!
-Mas não dá, eu não tenho como encontra-lo e nem coragem para isso.
-Você é influente, use isso a seu favor e quando descobrir eu vou com você pode ser?
-Bom... Ok, eu aceito sua ajuda! Vou fazer meu melhor!
[continua]
Se alguem estiver lendo Onegai! comentem por favor, só pra eu saber sahuashu'

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