sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


Amanheceu, os pombinhos cachaceiros acordaram, Sayumi olhou ao redor da casa bagunçada, normal até que notou um corpo estranho enrolado num lençol ao seu lado, lentamente foi puxando o tecido até que o rosto sorridente de Uruha aparece.

- Achou! – Disse como se fosse uma criança sorrindo entre os dentes infantis.

- Uruha?!? O que faz aqui?

- Num lembra uai? [mineiro?]

- Ih, a gente? – Fez aquele sinal batendo as costas de uma mão na outra.

- Aham, seis vezes...

- O.O

- Você se arrepende?

- Sabe, pra dizer a verdade, faria tudo de novo.

O loiro sorriu novamente puxando a moça para cima de si beijando seus lábios levemente. Ficaram entre caricias por mais um tempo até que Sayumi decidiu que era hora de levantar, tomaram café da manhã e logo depois arrumaram a bagunça, juntos...

Era por volta de 3 da tarde quando escutam uma musica:

“Ilari Ilari ê ô ô Ô! É a turma da Xuxa...”.

- Que é isso Uru?

- Ah, meu celular...

- Isso eu vi, mas que musica gay hein?

- Não enche...

- Ta, atende logo...

- Moshi moshi? Aham, eu mesmo... Serio?... Que ótimo, que horas? ... Prepara o passaporte da Sayumi também, já passei os dados, perfeito, muito obrigado... Tchau!

- Quem era?

- Um amigo... Ele descobriu o endereço de Akira...

- Serio?

- Sim, é em Osaka, vamos pra lá amanhã!

- Que bom, vou fazer as malas!

- Eu também, te pego amanhã às 8hrs.

- Ok...

~~UxS~~

Desembarcaram, ainda era cedo, mas Uruha decidiu que descansariam primeiro e só no dia seguinte iriam à procura do amigo perdido há tanto tempo.

No hotel tomaram um banho juntinhos e como de costume destruíram o banheiro, demoraram mais algum tempo para arrumá-lo, então Sayumi se arrumou para dar umas voltas, tinham a noite livre.

- Uma vez eu estive em Osaka e conheci um barzinho agradável no interior da cidade, vamos passar por lá e ver se ainda existe?

- Opa, bar é comigo mesmo – Sorriu a moça terminando de colocar os acessórios.

Pela janela do táxi ela observava tudo curiosa, era a primeira vez que viajava na vida e estava super animada, fazia muitas perguntas que o loiro respondia com prazer achando muito bonitinho o entusiasmo e infantilidade da pequena.

Chegaram ao tal bar que por incrível que pareça ainda existia e estava lotado de gente, logo ao entrarem Sayumi se apossou de uma garrafa e Uruha percebeu que seria uma noite longa...

Resolveu acompanhar a parceira na bebida, até que uma musica se fez ouvir, o loiro a reconheceu e puxou Sayumi para a dança.

- Que é isso Uru?

- É Lady GaGa! É nóiz!

- Se eu não tivesse provado essas coxas diria que pertencem a uma bichona.

O rapaz sorriu abraçando a garota por trás, se esfregando em seu corpo, uma dança mais sensual do que a musica pedia, começou a sentir uns calafrios e percebeu que já estava excitado. Mas o que havia com essa mulher? Por que ele não conseguia resistir? Era uma moça normal como as outras que sempre teve a seus pés... Não, definitivamente, algo naquela garota o seduzia de uma forma mais profunda, quase mágica.

Continuaram na dança até a musica acabar, ao se retirarem da pista Sayumi tropeçou nos pés de alguém indo parar nos braços de um cara, que por sinal era muito bonito, loiro, bem vestido, apesar da baixa estatura que se igualava a dela.

- Oh, gomene, eu tropecei...

- Ah, não por isso, está tudo bem com você?

- Sim... Estou b...

- Sayu, o que você ta fazendo? – Uruha a interrompeu.

- A Kou, eu tropecei e esse senhor gentil me segurou.

- Oras... Mas não me chame assim, nem velho eu sou, pode me chamar de Ruki.

- Ruki? Não creio – O rosto do loiro estava visivelmente surpreso.

- Uruha? É você mesmo homem?

- Péra aí tiu, então vocês se conhecem?

- É... Nossa, faz muito tempo... Conhecemos-nos na escola há anos atrás...

- Nossa não esperava te encontrar num lugar desses Kou, o que o cara famosão e rico faz num lugar como esse? E quem é essa, mais uma prostituta de luxo? – Disse o loiro menor ressentido.

- Me desculpe Ruki, eu estava cego...

- E só agora percebeu?

- Sim, espero que não seja tarde, bom na verdade eu já tinha desistido da vida... E por favor, fale de mim que eu sei que mereço, mas não de Sayumi, ela é a pessoa mais importante pra mim nesse momento, talvez sem ela eu ainda estivesse jogado naquela calçada esperanto a morte...

A moça corou e ficou sem palavras, então quer dizer que ela realmente era importante para Uruha...

- Tudo bem, dela não vou falar, até por que você teve bom gosto pela primeira vez nessa sua vida medíocre...

- Por favor, Takanori, me deixa tentar explicar...

- Explicar o que? Você não entende como doeu ouvir aquelas palavras, elas ainda perturbam minha mente, eu pensei que nós fossemos amigos, e o pior não foi para mim, você não sabe como Akira ficou, ele te considerava como um irmão...

- Eu era um idiota, cego, e quando percebi era muito tarde – Sem querer as lagrimas rolaram por sua face.

- Kou, não chora, por favor, não fique assim, eu prometi que iria te ajudar, vai ficar tudo bem eu prometo.

Ruki preferiu não ouvir mais uma palavra, se afastou lentamente, enquanto Sayumi abraçava Uruha e enxugava suas lagrimas, de certa forma sentiu um pouco de inveja por uma moça tão boa ter cruzado o caminho de alguém tão desprezível como Kouyou.

As cicatrizes que nasceram no pequeno eram quase impossíveis de serem curadas e Uruha sabia bem disso, estava a ponto de desistir e voltar pra casa, Sayumi o deixou sentado num banco com um drink e disse que iria ao banheiro.

Banheiro nada, ela queria um pretexto para procurar por Takanori, o que não foi muito difícil, o pequeno estava sentado num canto, pensativo, cabeça baixa.

- Olá...

- Ah, é você... Oi... Uruha te mandou aqui?

- Não, eu disse que iria ao banheiro, ele odiaria saber que eu vim falar com você, então isso fica entre nós...

- Tudo bem, não pretendo voltar a falar com ele mesmo..

- Hei, não diga isso, sabe o Uruha mudou...

- Run, isso não muda tudo que ele fez e disse...

- Eu não o conheci antes, mas quando o encontrei ele estava acabado, desmaiado na calçada, eu o levei para casa e ele me contou o que estava havendo...

- E você acreditou?

- Sim, eu confio nele, é meu dom, sei em quem confiar... Mas enfim, ele se arrependeu, você não imagina a culpa que ele carrega...

- Você não imagina a dor e a magoa que ele nos causou, eu o tinha como um grande amigo...

- Eu sei, ele tem culpa, não nega isso, mas sabe você não acha que ele merece uma chance de se redimir?

- Tenho medo... Não sei se posso confiar novamente...

- Eu posso ver através de você Ruki, quer voltar a falar com ele, não deixe o orgulho acabar de vez com uma amizade que pode voltar a existir, por favor, eu não peço por ele, peço por você!

- Não sei, preciso de um tempo...

- Tudo bem, você tem todo o tempo que quiser – Pegou um cartão e entregou ao rapaz – Aqui, isso é o telefone do Uru e o hotel em que estamos hospedados, se resolver dar uma chance a ele é só entrar em contato...

[continua]

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